Ciclos da saúde e doença
Ciclos da saúde e doença

Por que tem gente que fuma, bebe, dorme super tarde, só come besteira, não faz exercício (ou se mata de tanto exagerar no exercício), e parece nunca ficar doente?

E por que tem gente doente que mudou seus hábitos, melhorou a alimentação, faz exercícios adequadamente, segue ao pé da letra todas as orientações médicas, tratamentos, e parece que não melhora nunca?

Os dois cenários podem ser explicados pelo mesmo motivo:

Ciclos de saúde e ciclos de doença.

Se nós estendermos os conhecimentos das leis universais da física termodinâmica para a bioíqumica e fisiologia dos seres vivos, podemos afirmar que o funcionamento de um ser vivo se baseia na otimização da eficiência termodinâmica. Em outras palavras, qualquer ser vivo tende a funcionar otimamente num estado de mínima dissipação de energia.

Portanto, um estado de saúde perfeita pode ser definido como um estado onde o desperdício de energia necessária para o funcionamento do organismo é mínimo.

Quando um órgão ou sistema falha em seu funcionamento, o corpo inteiro passa a não funcionar tão bem quanto deveria, e o desperdício energético necessário para esse mau funcionamento aumenta. É a doença.

A tendência do organismo é fazer de tudo para se manter no perfeito funcionamento, no desperdício mínimo de energia, na saúde.

Podemos fazer uma analogia do ciclo de saúde com um trem em movimento, muito difícil de desviar dos trilhos. Dá a impressão de que nada pode deter essa inércia de movimento. Similarmente, podemos dizer que existe uma inércia considerável no sentido que nosso organismo não se abala tão facilmente por qualquer comida ou bebida que se coloca na boca, qualquer noite mal dormida, qualquer exagero ou falta de exercício, etc. Às vezes, parece que a saúde é de ferro e não se abala mesmo com anos e anos de um estilo de vida inadequado.

Crianças são um bom exemplo. A maioria ingere diariamente uma série de produtos industrializados como achocolatados, sucos, doces, pães, massas, refrigerantes; dorme de luz acesa (é muito importante, para o bom funcionamento do organismo dormir na escuridão total) e, mesmo assim, algumas não ficam doentes com facilidade.

Os maus hábitos tendem a continuar e/ou se exacerbar na adolescência, quando a supervisão dos pais diminui e a independência aumenta. Muitas adolescentes já começam a apresentar problemas de ordem hormonal/menstrual logo no início das menstruações. Muitos adolescentes podem ter incômodos como espinhas, ganho de peso, ansiedade, dores de cabeça etc, porém frequentemente não se dão conta de que esses problemas representam a consequência de um estilo de vida inadequado, preferindo simplesmente ignorá-los ou terceirizar a responsabilidade do seu bem-estar aos médicos e profissionais de saúde a cargo do tratamento de seus sintomas. O creme pode, efetivamente, minimizar a acne; o comprimido pode cortar a dor de cabeça; a injeção pode fazer descer a menstruação atrasada; o remédio X pode zerar a cólica menstrual; o tratamento Y pode neutralizar a irritabilidade da TPM. Tudo isso parece ótimo, porém não é nada mais que tapar o sol com a peneira, colocar a poeira debaixo do tapete, esconder o fato que existe algo errado que produziu esses sintomas, e que simplesmente abafar os sintomas, sem fazer mais nada, não fará a causa ir embora.

Em algum momento, de tanta força em contrário, o trem acaba desviando dos trilhos. De tantos maus hábitos, o ciclo de saúde se quebra. Entra o ciclo da doença.

Da mesma forma que é difícil colocar o trem de volta nos trilhos, também pode não ser fácil sair do ciclo de doença. A pessoa faz todos os esforços, se sacrifica para mudar a alimentação, vai dormir cedo, faz atividade física adequada, toma direito os remédios prescritos, segue à risca toda a orientação médica – e mesmo assim, não sente a tão esperada melhora. É compreensivelmente frustrante, mas nesse momento precisamos lembrar que, da mesma forma que não é fácil sair do ciclo de saúde, pode não ser fácil sair do ciclo de doença.

Não importa qual seja a doença, nós precisamos fazer nossa parte para sair dela, fechar o ciclo da doença para iniciar um novo ciclo de saúde. Precisamos persistir e ter paciência (será daí a origem do do termo paciente?). É fundamental implementar uma parceria e ação conjunta com seu médico, visando a plena recuperação da sua saúde.

Se e quando um ciclo de doença vai se fechar, dando lugar a um novo ciclo de saúde, vai depender de diversos fatores, como energia vital, estado físico e mental do paciente, gravidade da doença, implementação de mudanças para melhor no estilo de vida, eficácia da intervenção médica, entre outros. Eu, pessoalmente, acredito que nosso organismo possui o potencial para se recuperar, cabendo a cada um de nós maximizar esse potencial através da ação conjunta descrita acima. Força, perseverança, otimismo, fé e saída da zona de conforto são, a meu ver, condições essenciais.

Agora, se você, que está aqui lendo, não está doente, então que bom! Basta se manter no ciclo de saúde no qual já se encontra. Cuide bem de você. Cuide da saúde através de um estilo de vida saudável, cujos quatro pilares são: sono, alimentação, gestão do movimento e das emoções. Explore este site, pois não é à toa que ele se chama MedicinaDoEstiloDeVida.com.br. Assine minha Newsletter. E que nosso ciclo de saúde dure o máximo possível.

 

Publicado por Dr. Alexandre Feldman

Médico clínico-geral, autor de vários livros, criador dos sites MedicinaDoEstiloDeVida.com.br e Enxaqueca.com.br, palestrante, criador do termo "Medicina do Estilo de Vida", para designar a vertente da medicina que prioriza mudanças de hábito e estilo de vida para a prevenção e recuperação de doenças. Tem consultório em São Paulo, cidade onde mora com sua esposa Pat Feldman e dois filhos.