Sítio Jatobá – Fonte da Saúde da Minha Família

Sítio Jatobá é Meu Principal Fornecedor de Alimentos

Sítio JatobáMinha história com o Sítio Jatobá começa há muito tempo atrás, no ano 2004, quando minha esposa, a culinarista Pat Feldman, ficou grávida pela primeira vez. Como médico, marido e futuro pai, senti mais que nunca, naquele momento, o desafio de prover, para minha família nascente, o melhor e mais importante remédio contra todas as doenças do corpo, da mente e do espírito: a melhor alimentação possível.

Nós somos o que comemos – esta é uma verdade que começa desde antes da concepção. Civilizações indígenas já sabiam disso e reservavam os alimentos mais densos em nutrientes para os recém-casados, durante um período verdadeiramente ritualístico de núpcias, no qual o casal era isolado por várias semanas dos demais membros da comunidade (um precursor da lua-de-mel dos tempos atuais) e alimentado com ingredientes raros, difíceis de obter e reservados para ocasiões como estas. Tanto os indígenas quanto muitos outros povoados isolados, com milênios de tradição, aprenderam que para deixar descendentes fortes e sadios, ambos os pais precisam estar muito bem nutridos no momento da concepção, e a mãe deve receber alimentos os mais densos em nutrientes possíveis durante toda a gravidez e lactação.

A Razão da Minha Busca de um Fornecedor de Alimentos Excelentes

Dieta Tradicional: arcada dentária larga, dentes retos, sem cáries, saúde excelente.
Dieta Tradicional: arcada dentária larga, dentes retos, sem cáries, saúde excelente.
Dieta Contemporânea: face estreitas, cáries, dentes encavalados, doenças modernas.
Dieta Contemporânea: face estreitas, cáries, dentes encavalados, doenças modernas.

Muito da saúde e bem-estar da vida inteira se constrói durante o período embrionário e os primeiros anos após o nascimento. O crescimento ósseo adequado fará com que, por exemplo, a mandíbula se desenvolva o suficiente para acomodar todos os dentes; e o mesmo se aplica para a cavidade craniana, torácica, ocular, etc. Um descompasso no crescimento da mandíbula, por exemplo, fará com que os dentes não tenham espaço suficiente para se dispor na cavidade bucal, o que leva ao “encavalamento” dos dentes, problemas de mordida, etc. Enquanto essas doenças eram virtualmente inexistentes entre aqueles povos, foram se tornando cada vez mais prevalentes nas civilizações mais “avançadas” . É como se o avanço tecnológico e científico tivesse de alguma forma obscurecido aspectos da sabedoria proveniente dos hábitos e modo de vida tradicional.

Crianças com problemas típicos dos tempos atuais: óculos, aparelho nos dentes.
Crianças com problemas típicos dos tempos atuais: óculos, aparelho nos dentes.

O resultado é o número assustador de crianças com dentes encavalados, necessitando de “aparelho”, óculos (sim: erros de refração como miopia e hipermetropia têm a ver com descompassos no desenvolvimento das partes moles que ocupam a cavidade ocular), e uma série de outras doenças cada vez mais comuns, e cujas consequências requerem um gasto muito grande de tempo, dinheiro, e especialmente investimento emocional.

Eu comecei a ter problemas dentários com 2 anos de idade, que me levaram ao dentista por centenas de vezes durante a infância e adolescência, e que me roubaram horas incontáveis que, de outra forma, eu teria tido para simplesmente me divertir em paz. Com 7 anos já usava óculos para miopia. A partir dos 20 anos, lentes de contato. Depois, cirurgia. Minha esposa também teve um passado de dentes encavalados e “aparelho” nos dentes.

Um Pai com um (verdadeiro) Plano de Saúde Para a Família

À altura em que minha esposa engravidou, eu já sabia perfeitamente como fazer para evitar que esse mesmo destino afligisse meus descendentes. Já tinha conhecimento do fato que as predisposições genéticas que nós temos podem OU NÃO se manifestar, de acordo com fatores ambientais e comportamentais – e que um dos mais determinantes desses fatores é a alimentação. Meus pais me criaram da melhor forma possível, na medida que o conhecimento deles permitiu. Meus anos de estudos e pesquisas, por sua vez, trouxeram para mim esse novo conhecimento, e eu estava determinado a aplicá-lo de modo a dar este presente para meus filhos: mudar aquilo que, de outra forma, teria sido o destino deles, como foi o meu.

Assim, eu criei todo um plano para a alimentação, a começar da concepção e gravidez.

Claro que esse plano não era, nem poderia ser, simplista. Ou seja, não se reduz a uma lista de alimentos e ingredientes, mas envolve outros fatores aparentemente sutis, mas na verdade vitais, como a procedência desses alimentos e ingredientes, e depois disso, o modo de preparo dos mesmos. Tudo isso faz a maior diferença.

Todo o meu plano não caberia neste artigo, mas sim num livro que talvez algum dia eu venha a escrever, uma vez que o tema é de grande importância. Neste artigo eu quero falar sobre a procedência.

A Importância da Procedência da Nossa Alimentação

Assim como aquilo que a mãe come faz diferença na saúde do filho, aquilo que tem na terra faz diferença na qualidade dos filhos da terra – não apenas as plantas, mas também os animais que comem as plantas e que nós comemos (isso recebe o nome de cadeia alimentar).

Portanto, é importante  que o fornecedor do nosso alimento conheça, respeite e cuide ao máximo da nutrição de toda a cadeia alimentar, a começar pela terra e seus nutrientes.

Assim como uma pessoa com falta de nutrientes fica com a imunidade baixa e predisposta a todo tipo de infecções, uma planta com falta de nutrientes  fica predisposta a todo tipo de “pragas”.

Assim como o ser humano desnutrido e sem imunidade só funciona à base de antibióticos e drogas da indústria farmacêutica, a planta desnutrida cultivada no sistema industrial de agronegócio, vive à base de agrotóxicos, adubos químicos e outras drogas.

O resultado final pode ser um organismo biológico que tem “cara” de planta, “jeito” de planta, mas uma composição – e capacidade de nutrir – muito pior que a da planta de verdade, aquela que cresceu com saúde e sem remédios, a exemplo daquilo que acontece na natureza.

E o mesmo vale para os animais que comeram essas plantas. Mais ainda: uma galinha (frango), por exemplo, criada numa granja e que passa a vida inteira em cativeiro à base de ração de milho e soja não se compara, em termos de benefícios nutricionais, à galinha (ou o ovo dessa galinha) criada solta (“caipira”), ciscando no pasto e se alimentando de insetos, a exemplo do que acontece na natureza.

Se você acha que basta o alimento ser orgânico, pense de novo. É possível certificar como “orgânico” um frango (ou ovo de galinha) que foi criado(a) exclusivamente à base de ração de milho e soja orgânicos.

Eu sabia que não encontraria esse tipo de alimento no supermercado. Supermercados podem ser convenientes, porém lidam com um público que está muito mais ávido por preço que por qualidade, e não entende que não é fácil nem barato criar e cultivar com todo esse carinho e de forma tão artesanal. Ao contrário de outras pessoas, eu prefiro gastar mais tempo e dinheiro comprando e preparando alimentos, que gastar muito mais com doenças.

Eu precisava de uma solução, e felizmente o Sítio Jatobá foi essa solução.

O Sítio Jatobá Entra na Minha Vida

Conheci o Sítio Jatobá em 2004, num sábado pela manhã, numa feira de orgânicos em São Paulo, conhecida como “feira do parque da Água Branca”, por se localizar dentro desse parque. Como eu sou de fazer muitas perguntas quando compro comida direto do fornecedor (no supermercado eu não teria para quem fazer essas mesmas perguntas – mais uma razão pela qual evito comprar comida em supermercados), acabei tendo uma surpresa muito agradável ao conversar com alguém dessa barraca na feira. Ele tinha uma boa resposta para cada uma das minhas perguntas, e muito mais que isso, ele tinha um entusiasmo ENORME pelo trabalho que fazia. Era um verdadeiro diletante, ali na minha frente, que além de tudo era alegre, bem disposto, culto e amistoso. Ao final da conversa, me deu um cartão. No cartão, lia-se o nome do negócio, “Jatobá Orgânico”, e o nome dele, Marcos Gambarini.

Passaram-se as 40 semanas de gestação, meu primeiro filho nasceu, os anos foram passando e todos os sábados minha grande expectativa era de chegar logo, bem cedo, à feira do Parque da Água Branca e ter uma boa conversa com o Marcos. Sobre comida, claro. Pimentas, óleos incríveis prensados a frio por ele (diversos, inclusive de linhaça, amêndoas, gergelim etc), molho de tomate, milho, leite, tantos outros alimentos e todas as sutilezas envolvidas no seu cultivo e preparo, foram pauta de um grande aprendizado para mim, que até então só conhecia o tópico através de livros e artigos.

Além da principal fonte de alimentos para minha família, o Marcos Gambarini do Sítio Jatobá se tornou a referência para quem eu me voltava em caso de qualquer dúvida ou pergunta relativa ao cultivo e criação. Marcos sempre me causou enorme impressão pela honestidade, dedicação e conhecimento nessa área.

Mas Marcos nunca me deixava elogiá-lo por essas qualidades. Todas as vezes em que eu ficava impressionado com o conhecimento dele e esboçava um elogio, ele interrompia afirmando: “Alexandre, tudo o que eu sei aprendi com meu irmão mais velho, o Luciano. Se você acha que eu sei muita coisa, meu irmão sabe muito mais que eu.”

Foram várias essas ocasiões, várias as manhãs de sábado, na feira do Parque da Água Branca, em que o Marcos do Sítio Jatobá mencionava, com carinho e admiração, o irmão mais velho Luciano – para mim, até então, um misterioso personagem, pois Luciano nunca vinha à feira. Marcos explicou que o irmão é ocupadíssimo com a produção e afazeres no sítio, cabendo portanto ao Marcos a responsabilidade pela ida à feira.

O Sítio Jatobá certamente não era meu único fornecedor – mas era de longe o principal. Meu filho foi crescendo com saúde plena, graças à boa alimentação proveniente dos ingredientes produzidos e comprados do Sítio Jatobá.

Um dia, em janeiro de 2009, no que parecia ser mais uma bela manhã de sábado, chego à feira e percebo uma comoção: rostos tristes de muitos compradores que eu conhecia de vista, reunidos em volta da barraca do Sítio Jatobá. Logo fico sabendo o motivo: Marcos sofreu um problema de saúde súbito e inesperado, e faleceu. Ele tinha 42 anos.

Senti muito. Mais que a sensação de uma amizade perdida, o Marcos representava, simbolicamente, o elo concreto entre minha família e a “fonte nutriz”, a cara e a alma do Sítio Jatobá.

Com o falecimento do Marcos, deixei de ir à feira do Parque da Água Branca todas as semanas, e minha esposa Pat passou a ir à feira sozinha na maioria das vezes. O Sítio Jatobá continuava sendo nossa principal fonte de alimentos.

Não me lembro quantas semanas após o falecimento (já faz vários anos), fui à feira e, ao passar pela barraca do Sítio Jatobá, reconheci imediatamente, pelos traços fisionômicos similares, o irmão até então misterioso do Marcos, Luciano Gambarini. “O cérebro por trás de tudo”, como dizia o Marcos.

Luciano Gambarini do Sítio Jatobá
Luciano Gambarini do Sítio Jatobá, comigo segurando sacolas

Não demorou para eu notar que Luciano é um ser humano incrível, e finalmente compreender a admiração e carinho que Marcos visivelmente tinha por ele.

Nos últimos anos é a Pat Feldman quem continua indo à feira do Parque da Água Branca semanalmente, sem falha, para comprar no Sítio Jatobá os alimentos para nossa família. Aliás, a Pat disponibiliza na internet todas as receitas que ela prepara para a família – sempre de pratos deliciosos isentos de industrializados. Se você ainda não conhece o site da Pat, vale a pena visitar. Meu filho – aquele que deu início a todo esse processo de busca e encontro – já tem um irmão 5 anos mais novo, e que, graças a Deus, também deve muito de sua saúde ao cuidado, carinho e conhecimento aplicado pelo Luciano Gambarini na produção do Sítio Jatobá.

Crianças contemporâneas bem alimentadas têm mandíbulas largas, dentes perfeitos, saúde vibrante.
Crianças contemporâneas BEM alimentadas – minhas crianças – mandíbulas largas, dentes perfeitos, saúde vibrante.

Querida família Gambarini do Sítio Jatobá, caro Luciano, após estes 10 anos posso afirmar que nossa família é prova viva de que a missão e trabalho da família de vocês é vital e importante. Temos saúde porque comemos bem nesta casa – e comemos bem porque vocês nos vendem alimentos verdadeiramente densos em nutrientes.  Gostaria que todo mundo tivesse um “Sítio Jatobá” em seu bairro, cidade, estado e país. Que o exemplo do seu impacto positivo na vida da minha e outras famílias ajude a conscientizar outros produtores a seguirem sua trilha. Que cada vez mais consumidores procurem seus fornecedores fora do “conforto” do supermercado, na agricultura e pecuária familiar, e conheçam seus fornecedores cara a cara, e que vençamos nossos desafios pessoais e até dramas familiares através do bem que semeamos uns para os outros, através do nosso trabalho.

Muito obrigado, Sítio Jatobá. E espero daqui a 10 anos reforçar ainda mais meu agradecimento.

(Para meu querido leitor, aqui vai o link para o site do Sítio Jatobá e a página do Sítio Jatobá no Facebook)

(Esclarecimento importante: Não recebi, nem me foi oferecido – ou a qualquer membro da minha família -, dinheiro, descontos na compra de produtos ou qualquer favor pessoal do Sítio Jatobá e/ou seus representantes para escrever este artigo de revisão e avaliação. Enquanto algumas pessoas investem seu tempo escrevendo reclamações para alertar consumidores sobre produtos e serviços ruins, outras preferem investir o seu elogiando e compartilhando boas experiências com serviços e produtos, o que acaba tendo um efeito similar: desviar a preferência do consumidor aos serviços e produtos bons em detrimento aos ruins)

Publicado por Dr. Alexandre Feldman

Médico clínico-geral, autor de vários livros, criador dos sites MedicinaDoEstiloDeVida.com.br e Enxaqueca.com.br, palestrante, criador do termo "Medicina do Estilo de Vida", para designar a vertente da medicina que prioriza mudanças de hábito e estilo de vida para a prevenção e recuperação de doenças. Tem consultório em São Paulo, cidade onde mora com sua esposa Pat Feldman e dois filhos.

7 respostas em “Sítio Jatobá – Fonte da Saúde da Minha Família”

  1. Muito bonita a história! Sou leitora assídua do site da Pat e tenho ido na feirinha de orgânicos do parque do Ibirapuera.

    1. Olá Natália, desculpe ter deixado apenas a primeira parte do seu comentário e apagado sua pergunta, mas foi para não dar margem a qualquer mal-entendido. Sobre aquele produto que você pergunta, nós não compramos de lá, e sim ganhamos de um produtor conhecido (a venda é proibida por lei, – banido como se fosse alguma droga!! – mas não havendo comercialização, não há ilegalidade em doar e consumir o alimento)

  2. Belíssima história!!! que nesse nosso país, tão carente de qualidade decente de vida, ações e pessoas como essas se multipliquem e tenham sucesso, para que cada vez mais a consciência se alargue e evolua!

  3. Muito legal, tenho também um sitio e procuro me alimentar sempre o mais natural possível, desde que li seu livro, e suas publicações só vem a auxiliar e reforçar o que e como devemos nos alimentar.

  4. Causou inveja :o) Moro nos EUA e feira ainda é algo desconhecido

    Gostaria que falasse mais sobre as – predisposições genéticas que podem ou não se manifestar, de acordo com fatores ambientais e comportamentais.

    Obrigada!

  5. Verdadeiro elo do bem!!! Dr. Alexandre, obrigada por nos lembrar da importância de resgatarmos a simplicidade e verdadeiro valor -em tudo- em nossas vidas, e estou na torcida por esse novo livro…por que não? Parabéns!!!

  6. Dr feldman, gostaria que o senhor escrevesse uma materia de como eliminar agrotóxicos, ate agra so sei bicarbonato de sodio, carvão vegetal ou quitosana, afinal aqui em Brasília nao temos nenhum sitio jatoba…..

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